Exercício Físico e Depressão

Como sabemos, nossa sociedade está cada vez mais estressada, mais afundada em problemas e como isso surge um elevado numero de pessoas com Depressão. E o exercício físico como pode ajudar? Isto é o que veremos a seguir.

A depressão é uma doença considerada psicossomática, significando que o fluxo de influências para o seu surgimento é bidirecional, corpo e mente se influenciam mutuamente, observando-se sintomas e possíveis desencadeadores tanto orgânicos, quanto emocionais (BRAZ, 2001).

depressãoSegundo a OPAS/OMS (2017), a depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos.

Dentre os fatores causadores desses distúrbio, destacam-se a predisposição genética, abuso emocional, alterações fisiológicas durante a adolescência, puerpério, menopausa ou no envelhecimento (BRUST, 2011).

Entre as possibilidades têm-se fatores hereditários, anormalidades endócrinas e particularidades envolvendo neurotransmissores tais como serotonina e dopamina (TAYLOR, 1992; MORENO, MORENO, 1995).

A depressão ocorre por meio da perda de autoestima e motivação, tristeza ou vazio profundo, apatia, agitação ou perturbação, distúrbios do sono e apetite, falta de concentração, sentimentos excessivos de culpa ou indignidade, pensamentos mórbidos e fadiga (LEAL et al., 2008; VELASCO, 2009).

De acordo com o relatório da OMS, LANÇADO EM 2017, O número de pessoas que vivem com depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015.

De acordo com a publicação “Depression and other common mental disorders: global health estimates”, há 322 milhões de pessoas vivendo com esse transtorno mental no mundo.

O novo relatório global mostra ainda que a depressão atinge 5,8% da população brasileira (11.548.577).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) evidencia que a mesma é uma das causas líderes de incapacidade(Juntamente com o alcool e drogas) no mundo todo e o suicídio, aliado à doença, vitima cerca de 850.000 pessoas por ano (WHO, 2006).

depressão-curaDiretrizes da Associação Médica Brasileira, para o tratamento da depressão: Medicaçãoe Terapia comportamental.

O uso de antidepressivo é efetivo no tratamento agudo das depressões moderadas e graves e a psicoterapia cognitiva, mais efetiva no tratamento dos episódios de natureza leve a moderada (BATISTA; OLIVEIRA; 2015).

Paralelamente às terapias medicamentosas supracitadas, têm sido sugeridas outras formas de tratamento, dentre elas, a prática de exercício físico que, em vários casos, tem efeitos similares ao uso de remédios e terapias (NACI; IOANNIDIS, 2013).

Entre 20 a 30% dos pacientes cardíacos manifestam um transtorno depressivo; Os sintomas depressivos após um infarto prejudicam a reabilitação e associam-se a taxas mais altas de mortalidade e morbidade clínica (Soares et al, 2006).

A prática do exercício físico, devidamente monitorada por profissional da área, não apresenta nenhum tipo de contraindicação além de promover “efeitos colaterais” como melhora sobre parâmetros crônicos como diabetes e hipertensão (recorrentes em vários depressivos e ansiosos), e prevenir doenças como o câncer, osteoporose e o AVC.

depressão e exercícioAlém da melhora relacionada com o ganho de peso, a atividade física também vem no sentido de promover uma melhor condição de vida para os pacientes com transtornos psiquiátricos. Morgan (1985) e Ransford (1982) demonstraram que a atividade física é capaz de aumentar a transmissão sináptica de monoaminas, da mesma forma que os antidepressivos. Além disso, observaram que a atividade física provoca a liberação de opióides endógenos (endorfinas – morfinas “endógenas”), basicamente as beta-endorfinas. Tais substâncias possuem um efeito inibitório no sistema nervoso central, gerando uma sensação de ânimo e calma (MORGAN, 1985; RANSFORD, 1982; NICOLOFF, SCHWENK, 1995).

Diversos estudos apontam uma diminuição das alucinações visuais, aumento na autoestima e melhora na qualidade do sono de pacientes com transtornos psiquiátricos após a participação em um programa de atividade física (CHAMOVE, 1986; FAULKNER & SPARKES, 1999; DALEY, 2002; CHALLAGAN, 2004).

Já na depressão maior, Doyne, Chambless, Beutler (1983), buscando avaliar a eficácia do treinamento intervalado no alívio dos sintomas de depressão, propuseram um programa de atividade durante seis semanas. Os participantes eram submetidos a 30 minutos de atividades em bicicleta ergométrica, 4 vezes por semana. Os resultados indicaram que a utilização do programa aeróbico foi associada com uma redução clara na depressão, sendo que tais melhorias foram mantidas três meses após intervenção.

Os estudos existentes sugerem que as intervenções de atividade física podem ser viáveis e proporcionarem um papel na promoção da saúde física e mental em pacientes com transtorno psiquiátricos. Nota-se que os benefícios da atividade física regular, incluem, entre outros fatores, o de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos e, paralelamente, positivamente influenciar no tratamento médico como: promover a redução do uso de medicamentos, e diminuir os gastos com tratamentos pelo sistema de atendimento à saúde, seja ela pública ou privada.

Referência:

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•BATISTA, Jefferson Isaac; DE OLIVEIRA, Alessandro. EFEITOS PSICOFISIOLÓGICOS DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PACIENTES COM TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO. RevistaCorpoconsciência, v. 19, n. 3, p. 1-10, 2016.
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•VELASCO, Paulo. Depressãoe transtornosmentais:tudoo quevocêdevee precisasaber. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2009
 
Verner Roberto , Graduado em Web Designer e Graduado em Educação Física pela UNIBRA. Gerente comercial e imprensa Mente Fitness. Curioso, apaixonado por Futebol, Treinamento Funcional, Musculação e Exercício como Qualidade de Vida. Tem como foco principal especializar-se em atividades físicas para 3ª Idade. Trabalhou como Prof. Estagiário de Musculação na Academia R2 , Topfit, Hi Academia, Estudio ACCEL e sócio proprietário do Blog Mente Fitness.

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