Ligamento cruzado anterior e colateral, exercícios para o Joelho.

Duas das maiores lesões em praticantes de atividade física, e entre atletas, o Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e o Ligamento Colateral do joelho merecem uma atenção especial no retorno pós lesão. Vamos entender do que se trata e como devemos praticar exercício para ajudar na recuperação.

JOELHO

Ligamento Cruzado Anterior: 

LCA ou ligamento cruzado anterior é um dos mais importantes ligamentos do joelho. Localizado na região central da articulação, a sua função é impedir a rotação e a translação da tíbia anteriormente, em relação ao fêmur.

Este ligamento pode ser rompido quando a articulação sofre uma entorse. Durante a entorse as estruturas que mantém a estabilidade articular – os ligamentos entre elas – podem ser distendidas até que se rompam.

 

LCA-joelhoEntre os homens, no Brasil, a causa mais comum de ruptura de LCA é uma entorse do joelho durante um jogo de futebol. A lesão ocorre quando o corpo gira sobre o joelho estando o pé firmemente preso ao solo. Isso acontece num drible, por exemplo.

O retorno às atividades esportivas, tem maiores restrições e pode-se levar alguns meses até a liberação. Sessões de fisioterapia são fundamentais no período de recuperação e serão solicitadas.

A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) tipicamente resulta em perda da estabilidade articular, força muscular e função, gerando uma série de déficits no membro acometido (RUDOLPH et al., 1998; DA LUZ, 2009).

Fatores extrínsecos como desequilíbrios neuromusculares (assimetrias), nível de habilidade e condicionamento físico, controle de movimento, entre outros podem influenciar a incidência de lesões do LCA, assim como sua reincidência (GRIFFINN et al., 2000; NEGRETE et al., 2007; DA LUZ, 2009).

Assimetrias de força ou de habilidades funcionais, nos membros inferiores, podem ser relacionadas ao aumento no risco de lesões do LCA. Tais assimetrias podem ser um sinal de que o membro acometido ainda apresenta déficit, seja ele motor, neural ou estrutural. A presença desse déficit pode predispor o indivíduo a uma nova lesão naquele membro, sobrecarregando-o (DA LUZ, 2009).

Reabilitação pós operatória:

 Quando o tratamento cirúrgico é indicado, o paciente precisa ser esclarecido que haverá necessidade de tratamento fisioterápico logo após e que este deverá ser realizado por meses (dependendo do protocolo adotado) até o retorno do paciente ao esporte ou às suas atividades, ou até mesmo depois disso.

Retorno ao esporte:

O retorno ao esporte dependerá de vários fatores como:

  1. Força e controle muscular
  2. Amplitude de movimento do joelho
  3. Capacidade de realizar gestual próprio do esporte a ser praticado
  4. Cicatrização do novo ligamento

Todos os parâmetros, com exceção do último, podem ser objetivamente mensurados ou controlados. Estes parâmetros são conquistados, se o paciente realizar corretamente a reabilitação pós operatória, em torno dos 6 meses pós cirurgia.  É por isso, que a maioria dos protocolos de reabilitação permitem o retorno ao esporte em 6 meses. Porém a cicatrização completa do novo ligamento ocorre depois deste prazo e o paciente deve ter consciência desse fato, já que o retorno precoce pode colocar a cirurgia em risco.

Objetivos das fases de reabilitação

  • FASE 1:

Proteger o enxerto, controlar a inflamação, extensão e flexão bilateral total superior a 90-100 graus, obter padrão de marcha normal;

  • FASE 2:

Restaurar marcha normal, manter a extensão completa e melhora progressiva da flexão, proteger enxerto, controle de edema;

  • FASE 3:

Manter amplitude total do movimento, melhorar a resistência, força e propriocepção, proteger o enxerto;

  • FASE 4:

Fortalecimento muscular, controle neuromuscular em atividades funcionais;

  • FASE 5:

Regresso ao atletismo, manter a força muscular, resistência e propriocepção, regresso progressivo ao esporte de “pivot”, como o futebol e outros esportes de contato.

Existe concordância na literatura sobre os princípios gerais da reabilitação pós-cirúrgica da lesão do LCA, com relação ao controle de edema, melhora de amplitude articular, ganho de força, propriocepção, capacidade funcional, treino do gesto esportivo e treino do condicionamento. Apesar disso, existe divergência de quais exercícios físicos devem ser prescritos e quando.

Durante muito tempo os exercícios de CCF (Cadeia Cinética Fechada) foram priorizados no pós-operatório da reconstrução do LCA, recentemente estudos tem demonstrado que exercícios de CCA (Cadeia Cinética Aberta) também possuem sua importância nesse processo, devendo ser inseridos a partir da 6 (sexta) semana do programa. Logo, compreende-se atualmente que a combinação desses dois tipos de cadeias é a melhor escolha na reabilitação do LCA.

Dentre os exercício as CCF, fortalecedores de quadríceps, glúteos e tríceps sural, pode-se utilizar o Leg Press com variação de pés, altos ou baixos, estreitos ou largos dependendo da porção muscular a ser fortalecida. Agachamentos em combinação com a flexão de tronco parecem ser menos nocivos ao ligamento, devendo fazer parte da reabilitação. Utilizar a barra frontalmente ao corpo e apoios bilaterais são escolhas mais seguras de exercícios.

Enquanto aos exercícios de CCA, no trabalho de posteriores de coxa não foi encontrado nenhuma contra indicação, podendo ser utilizado tanto exercícios em cadeiras, quanto mesas flexoras. Para fortalecimento de quadríceps, a cadeira extensora pode ser utilizada em níveis angulares acima de 45o de flexão, sem observar sobrecarga ao neoligamento, a partir do 45o dia de reabilitação.

Nesse período da reabilitação a utilização de atividades funcionais e de propriocepção como caminhadas, corridas com mudança de direção, uso de escadas de circuito, pranchas de equilíbrio, balancinhos e entre outras, são de extrema importância, pois preparam para os gestos utilizados no dia a dia bem como recuperam habilidades físicas como agilidade, velocidade, confiança e melhora do tempo de reação, fundamentais para o retorno ao exercício e/ou esporte.

– Lesão do Ligamento Colateral Medial

 

Essa é a lesão ligamentar mais comum do joelho. Quando o paciente é acometido de maneira isolada por uma lesão nesse

colateral-joelholigamento, tende a apresentar dor e inchaço localizado, hemartrose (derrame de sangue dentro da articulação). Em caso de suspeita dessa lesão, todos os ligamentos e meniscos do joelho devem ser examinados, pois podem existir lesões associadas. Tratamento cirúrgico destas lesões é raramente necessário.

– Lesão do Ligamento Colateral Lateral

Lesões deste ligamento são menos comuns se comparadas às ocorrências do medial. Entretanto, quando ocorrem, geralmente são mais graves e raramente são lesões isoladas. Por consequência, o tratamento destas lesões é bem mais difícil.

A Lesão do LCM é classificada em escalas de gravidade:

            Grau 1 : O ligamento é levemente danificado em um entorse . É um estiramento leve.

            Grau 2 : Referido como uma ruptura parcial do ligamento.

            Grau 3  : ruptura completa do ligamento, tornando a articulação do joelho é instável.

            Retorno aos esportes

            Em lesões grau I e II, em geral ocorrem em 6 a 8 semanas. O principal parâmetro para o retorno é a melhoria da dor. O retorno deve ser gradual e com incremente semanal.

descrição das lesões de joelho

Fontes de Pesquisa / Referencia Bibliográfica

DOS SANTOS, Maikon Gleibyson Rodrigues et al. Exercícios na reabilitação do ligamento cruzado anterior após ligamentoplastia com auto-enxerto de tendão patelar: um estudo de revisão.

MARCHETTI, Paulo Henrique et al. Desempenho dos membros inferiores após reconstrução do ligamento cruzado anterior. Motriz rev educ fís, v. 18, n. 3, p. 441-8, 2012.

DE LIMA MOSER, Auristela Duarte; MALUCELLI, Mariane França; BUENO, Sandra Novaes. Cadeia cinética aberta e fechada: uma refl exão crítica. Fisioterapia em Movimento, v. 23, n. 4, 2017.

ALMEIDA, Gabriel Peixoto Leão; DE OLIVEIRA ARRUDA, Gilvan; MARQUES, Amélia Pasqual. Fisioterapia no tratamento conservador da ruptura do ligamento cruzado anterior seguida por ruptura contralateral: estudo de caso. Fisioterapia e Pesquisa, v. 21, n. 2, p. 186-192, 2014.

LUZO, Marcus Vinicius Malheiros et al. Ligamento cruzado anterior–Artigo de atualizacão. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 51, n. 4, p. 385-395, 2016.

http://www.ortopediabr.com.br/ligamento-cruzado-anterior-cirurgia-lca/

http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/10/tapoio-ligamento-cruzado-2.pdf

http://www.meujoelho.com.br/lesao-de-lca/

https://www.drmarcelotostes.com/joelho/ligamentos/ligamento-cruzado-anterior-lca/reabilitacao

http://www.institutotrata.com.br/doencas/joelho/lesoes-nos-ligamentos-do-joelho/

http://adrianoleonardi.com.br/a-lesao-do-ligamento-colateral-medial/

 

Verner Roberto , Graduado em Web Designer e Graduado em Educação Física pela UNIBRA. Gerente comercial e imprensa Mente Fitness. Curioso, apaixonado por Futebol, Treinamento Funcional, Musculação e Exercício como Qualidade de Vida. Tem como foco principal especializar-se em atividades físicas para 3ª Idade. Trabalhou como Prof. Estagiário de Musculação na Academia R2 , Topfit, Hi Academia, Estudio ACCEL e sócio proprietário do Blog Mente Fitness.

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