Utilização da Instabilidade na Atividade Física

UTILIZAÇÃO DA INSTABILIDADE NA ATIVIDADE FÍSICA: PARTE DE UM PROCESSO DE REABILITAÇÃO OU FORMA DE TREINAMENTO REAL? OU OS DOIS?

Desde a II Guerra Mundial, os trabalhos da instabilidade já eram utilizados por fisioterapeutas como forma de reabilitação e treinamento de atletas de alta performance. Hoje a instabilidade está cada vez mais inserida em um contexto de treinamento para população em geral. Em um estudo feito por Verhagem (2005) e colaboradores, foi observado a utilização do treinamento de equilíbrio como parte de um processo de reabilitação para a prevenção de entorses de tornozelos em 116 times de Voleibol, entre os anos de 2001 e 2002, divididos entre grupo controle (aqueles que não possuíam problemas de tornozelo) e grupo de intervenção (aqueles que já possuíam lesões). Economicamente falando, houve uma queda de idas ao hospital do grupo que possuíam alguma debilidade de tornozelo.

Então, porque não levar essas intervenções ao mundo do não atleta e com perdas de aprendizagem motora e força muscular?

A questão sempre cai para o lado ruim. Mas podemos ver o lado muito bom, intimamente ligado à melhora da propriocepção de idosos. Em um estudo feito por FUZHONG (2004) foi visto, utilizando o TAI CHI como intervenção, melhoras significativas em idosos acima dos 70 anos. Neste grupo foi visto que não houveram quedas dos idosos, após 6 meses de intervenção do estudo.

Então por estes artigos, vimos que a instabilidade não é apenas para reabilitação. Ela pode ser utilizada para treinamento de atletas, não atletas, lesionados e não lesionados. Bases instáveis são formas de estimulo proprioceptivo em um processo de volta ao equilíbrio. Bosus, pranchas de propriocepção, fisioballs, discos flexíveis são alguns dos produtos que podem ser utilizados para este meio. Mas também o processo de treinamento de equilíbrio pode ser apenas com o próprio corpo.

A atuação das bases instáveis e estáveis para a promoção da qualidade do movimento ajudará no processo de aquisição de fortalecimento durante o treinamento também da coordenação motora. Não pela ativação de unidades motoras, pois estas estão mais ligadas ao trabalho de hipertrofia linear, mas pela adaptação neural especifica dos músculos agonistas, antagonistas, sinergistas e estabilizadores.

Utilize-os com sabedoria. Sempre teste primeiro com seu corpo, pois lembre-se: tratamos com pessoas e não com robôs. É melhor a dor em nós do que em nossos alunos!

CITAÇÃO:
A sede por conhecimento levou-me a estudar um pouco mais sobre a atividade física em um âmbito mais focado na propriocepção e cognição. Para isso, a análise de movimento está tendo cada vez mais relação com estes temas. Por ser uma de minhas bases de estudos atualmente e agradecendo o convite do MENTE FITNESS, venho com este primeiro texto para tentar esclarecer algumas dúvidas em relação ao trabalho de propriocepção e equilíbrio no treinamento desportivo, recreativo e reabilitação. Ainda estamos no início, mas sempre trarei textos com essa relação.

Abraços a todos

Artigos utilizados:
FUZHONG, L., P. HARMER, K.J. FISHER, AND E. MCAULEY. Tai chi: Improving functional balance and predicting subsequente falls in older persons. Med. Sci. Sports Exerc. 36:2046–2052. 2004.
VERHAGEN, E.A., M. VAN TULDER, A.J. VAN DER BEEK, L.M. BOUTER, AND W. VAN MECHELEN. An economic evaluation of a proprioceptive balance board training programme for the prevention of ankle sprains in volleyball. Br. J. Sports Med. 39: 111–115. 2005.
DAVID G. BEHM1 AND KENNETH G. ANDERSON2. the role of instability with resistance training. Journal of Strength and Conditioning Research, 2006, 20(3), 716–722

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